Por Sandra Rosenfeld
Muito se fala sobre o benefício do não apego. De fato não se apegar a nada deve ser mesmo maravilhoso! Digo deve ser porque é, em princípio, muito difícil, quase impossível. Pode ser que para outros povos, lá no longínquo Oriente, com uma cultura e valores bem diferentes do nosso, isso seja algo bem mais fácil de realizar. Mas para nós aqui do Ocidente onde nos apegamos compulsivamente a tudo, principalmente a bens materiais, o desapego é algo que alguns não conseguem nem imaginar.
Mas, para aqueles que gostariam de ter uma existência de paz e transitar pela vida de forma mais harmoniosa e tranquila, não resta dúvida de que a primeira coisa que devem buscar é a própria liberdade e, com certeza para isso, há necessidade de aprender a vivenciar o não apego. Afinal que liberdade existe no apego seja a que ou a quem for?
Qualquer tipo de apego é em vão e, no fundo, todos nós sabemos disso. As maiores dores e sofrimentos provém de onde? Da perda. E o que é o sentimento de perda senão o apego a algo ou alguém que nunca nos pertenceu?! Esteve em nossa vida, mas não nos pertenceu.
Eu gosto de um pensamento que já li em algum lugar mas não sei de quem é a autoria que diz “que tudo que temos aqui é emprestado”. Neste tudo está incluído os filhos. Vale lembrar o belíssimo poema de Gibran Kalil Gibran
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.”
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.”
Então o que realmente é nosso? Apenas o que cultivamos interiormente. No Coaching há uma parte no Processo com o subtítulo de Por que vale a pena viver em que uma das perguntas é: quais as coisas que pertencem a você? É linda essa parte do trabalho de coaching, como muitas outras, porque descobrimos que apenas o que construímos interiormente, as nossas experiências e vivências, nos pertencem.
Mas, mesmo a essas coisas, não devemos nos apegar, porque somos seres em constante transformação.
O melhor sempre é estarmos conscientes tanto nos momentos alegres como nos tristes de que isso também vai passar.
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